Enquanto o Brasil se prepara para a safra de café de 2026, o setor observa com atenção uma série de variáveis que podem definir o tamanho da colheita, sua qualidade, seus impactos no mercado interno e externo, e o grau de pressão sobre preços e estoques.
Panorama das estimativas
Vários institutos, corretoras e entidades do agronegócio já divulgaram projeções para o ciclo 2025/26 (que se refere à safra que será colhida em 2026). Eis o que os dados apontam:
A corretora Marex projeta uma produção total entre 63,4 e 69,4 milhões de sacas de 60 kg, nível próximo ao da safra anterior. Revista Cultivar+3Portal do Agronegócio+3Investing.com Brasil+3
Dentro desse total, espera-se uma leve queda na produção de café arábica enquanto o conilon/robusta tende a crescer, tanto por expansão de área produtiva quanto por melhores condições climáticas em certas regiões. Portal do Agronegócio+3Investing.com Brasil+3Revista Cultivar+3
A estimativa do USDA atribui ao Brasil uma produção em torno de 65 milhões de sacas no ciclo 2025/26, com cerca de 40,9 milhões de sacas de arábica (queda) e algo perto de 24 milhões e pouco de robusta (crescimento). Revista Cultivar
Já a Hedgepoint prevê algo como 63,8 milhões de sacas no total, com queda de ~8,4% no arábica, impulsionada pelas condições menos favoráveis no período crítico da florada. Mas destaca um avanço forte do conilon, especialmente nos estados com boas chuvas e possibilidade de irrigação. CaféPoint
Fatores que jogam contra
Apesar de algumas previsões otimistas, há uma série de desafios que podem comprometer ou limitar o crescimento da safra 2026:
Sequência de eventos climáticos adversos
Secas prolongadas em momentos críticos, temperaturas altas e chuvas irregulares têm sido citadas como causas de queda da produção de arábica. Essas condições afetaram floradas, o pegamento de frutos e o enchimento dos grãos. UOL Notícias+3CaféPoint+3Investing.com Brasil+3Bienalidade dos cafeeiros arábica
O fenômeno natural de alternância entre anos de alta e baixa produção para arábica continua influenciando fortemente os volumes. Um ano de bienalidade negativa (como 2025 foi estimado ser) implica em menor oferta para 2026, salvo compensações por manejo. Serviços e Informações do Brasil+2CaféPoint+2Stocks / estoques menores
Alguns relatórios destacam que os níveis de estoque global de café estão baixos, tornando o mercado mais sensível a choques de oferta — sejam climáticos, logísticos ou por interrupções sanitárias. Então qualquer problema de produção pode ter efeito ampliado nos preços. Reuters+2Investing.com Brasil+2Competitividade de insumos e custos de produção
O café exige insumos caros (fertilizantes, defensivos, irrigação, energia), transporte e mão de obra. Se esses custos seguirem elevados — ou agravados por fatores externos como câmbio, transporte ou políticas fiscais — o retorno para o produtor pode ficar apertado, o que desestimula investimentos em melhoria de lavouras ou manutenção de qualidade. (Este item é inferido com base em tendências recentes e práticas agrícolas.)
Riscos do lado positivo que precisam ser aproveitados
Por outro lado, há condições que, se bem aproveitadas, podem permitir uma safra de 2026 razoável, senão acima do esperado:
Clima mais favorável: meteorologistas apontam para chuvas que tendem a começar mais cedo — em setembro — e se manter com boa regularidade. Isso favorece a florada, que é um momento crítico para arábica. A temperatura também deve ser um pouco mais amena, com padrão de La Niña possivelmente ajudando a evitar extremos térmicos. UOL Notícias
Expansão e vigor do conilon / robusta: há áreas produtivas em conilon que estão sendo bem manejadas, com melhor irrigação, adubação, e com condições climáticas mais regulares em algumas regiões como Espírito Santo, Bahia, Rondônia, entre outras. Isso pode compensar parte da queda do arábica. CaféPoint+2Revista Cultivar+2
Incentivos e investimentos: preços mais altos do café arábica no mercado internacional tendem a estimular o produtor a investir em renovação de cafezais, técnicas de manejo mais eficientes, melhoria na qualidade e certificações. Tudo isso contribui para obter maior produtividade mesmo em anos de bienalidade negativa. CaféPoint+1
Impactos esperados
Com base nessas estimativas, seguem alguns impactos que a safra de 2026 poderá gerar:
Pressão nos preços internacionais: se a oferta de arábica ficar menor do que demanda, há espaço para valorização dos cafés finos. O conilon mais abundante pode atenuar, mas não é substituto perfeito para arábica em mercados de alta qualidade.
Influência sobre exportações: o Brasil continuará sendo peça chave no mercado global. Uma safra menor de arábica pode gerar preocupação nos compradores internacionais, contratos futuros e impacto no câmbio para produtores. Ao mesmo tempo, exportações de robusta / conilon tendem a crescer, podendo mudar levemente a composição das exportações brasileiras.
Efeito nos estoques globais: estoques menos robustos deixam o sistema vulnerável. Qualquer choque climático (geada, seca intensa) pode ter efeito imediato de alta de preços, o que pode se refletir no café especial, no café gourmet e também no café de consumo domestico mais simples.
Desafios para produtores de arábica de alta altitude ou de clima mais exigente: regiões que dependem de clima fresco podem sentir mais os efeitos adversos, exigindo técnicas de adaptação, sombra, manejo de irrigação se possível, para manter qualidade.







